O seguinte artigo de opinião foi escrito por Sandrina Salvado, Head of Human Capital da Bee Engineering e publicado originalmente na InfoRH.

A COVID-19 veio, sem dúvida alguma, acelerar o processo de transformação das empresas. Ninguém estava preparado e todos tivemos que nos adaptar num curto espaço de tempo. Com esta pandemia, gerou-se um pandemónio. Um desafio inesperado que exigiu de todos compreensão, resiliência e vontade de se ajustar.

Fortalecer relações profissionais e pessoais

Neste cenário, os colaboradores têm um papel fundamental. Essa evidência é, e sempre foi, clara para nós, sendo agora crucial para garantir o equilíbrio e a dinâmica saudáveis de toda a estrutura da empresa. Na base da nossa gestão, está uma confiança consolidada e reforçada entre todos os elementos. Acredito que são estes momentos críticos que podem proporcionar oportunidades únicas com potencial significativo para as empresas crescerem, do ponto de vista orgânico e interativo e, ao longo deste processo de reconstrução, fortalecerem-se.

Os desafios são muitos! É um momento em que se podem moldar e aperfeiçoar verdadeiros líderes. São estes momentos de crise que fazem emergir e que dão espaço e tempo aos perfis que nunca desistem. São estes perfis dinâmicos e pro-ativos que conseguem motivar as suas equipas, estimular uma atitude positiva e otimista, a curto, médio e longo prazo. São um motor vital para criar um sentimento de grupo e de co-responsabilidade. São necessárias lideranças fortes, motivadoras e com uma imensa visão estratégica para navegar em tempos de crise.

Comunicação ampla e multifacetada

Estar a trabalhar na modalidade Home Office requer adaptação e muita organização. Na empresa estabelecemos novos canais de comunicação para reduzir a distância física, manter o sentimento de pertença e fortalecer o relacionamento entre todos. É muito importante estarmos atentos e disponíveis para ouvirmos os nossos colegas, colaboradores e clientes. Deste modo conseguimos identificar necessidades, pessoais ou profissionais, e mostrar o espaço de diálogo e intercâmbio que existe e deve ser preenchido. Trata-se de promover uma comunicação ampla e multifacetada, de espaços de discussão com tópicos pré-definidos e de momentos de partilha espontânea, tal como se estivéssemos todos juntos no mesmo local físico. Esta escuta ativa à distância e a interação virtual contribuem para reforçar e dar sentido ao espírito de equipa.

Toda a nossa comunicação interna é objetiva e genuína. É importante comunicar prioridades e criar momentos de partilha de dificuldades e espaços para dar feedback relativamente aos processos que estão a serem desenvolvidos.

Alimentar a proximidade

Um bom exemplo do empenho de todos os elementos, foi a celebração do nosso 7º aniversário no início do mês de abril. Foi um evento em direto, numa plataforma virtual, em que compareceram mais de 90 dos nossos colaboradores. Iniciativa com grande sucesso e com um brinde virtual para festejar a data. Preservar e alimentar a proximidade com todos e entre equipas é um dos nossos principais desafios e prioridades. Para isso, é necessário tirar o melhor partido das diferentes plataformas digitais que estão à nossa disposição. Estamos numa era de transformação digital acelerada provocada por esta pandemia.

Adaptação e reinvenção

Acredito que a COVID-19 causou um impacto muito forte a vários níveis, quer na vida pessoal quer na profissional. Este criou necessidades prementes de adaptação e de reinvenção, tudo em modo acelerado, para manter à tona as equipas, os negócios, as redes organizativas internas e externas. O processo de transformação digital era até então mais um projeto a implementar do que uma realidade em plena concretização. O mundo mudou-nos … agora somos nós que temos de mudar ou reajustar a nossa forma de trabalhar e de rentabilizar o nosso trabalho. Sabemos, nestas circunstâncias, que os processos de criação e produção precisam de ser agilizados. Enquanto elementos transformados por esta situação, é preciso aceitar a mudança e querer mudar para dar resposta às novas exigências do mercado. A flexibilidade é fundamental para redefinir processos, investir em áreas específicas, procurar tecnologias, serviços, produtos ou mesmo mercados a serem explorados para criar novas oportunidades. O próprio local de trabalho passa a ser onde a pessoa está e não um local fixo.

A empresa pós-Covid19 será uma empresa preparada para a reinvenção, a improvisação e o planeamento estratégico em função das circunstâncias, necessidades e oportunidades. Dar espaço a novas formas de trabalhar, de gerir o tempo, construir os projetos, obter resultados e comunicar. A crise veio comprovar que o sucesso de uma empresa são as suas pessoas. São elas que mantêm a cultura empresarial dinâmica, são a rede que fortalece a estrutura organizacional e a força que gere resultados.

Esta pandemia implica tantas mudanças a nível individual e coletivo, e mostra que a estabilidade da empresa só é possível se percebermos que o valor de cada um constitui o valor diferenciador de uma organização.

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