Renato Munhoz, IT Service Manager na Bee Engineering, assinou o artigo de opinião na Green Savers que podes ler de em seguida.

Tecnologia no apoio à Economia Circular ou Economia Circular no apoio à Tecnologia.

Mais do que uma moda.

Há algum tempo conhecida apenas como Sustentabilidade, a necessidade de repensarmos a nossa relação com o presente e futuro levou-nos a refletir cada vez mais em como medir e alcançar os resultados esperados, criando linhas de pensamento e modelos. Assim chegou-se ao atual modelo ótimo, a circularidade da economia.

Mas afinal o que é a economia circular? E o que isso tem a ver com a Tecnologia?

A mais recente definição para a economia circular está a ser desenvolvida no âmbito da Organização Internacional de Normalização (ISO). Segundo a entidade, “é um sistema económico que utiliza uma abordagem sistémica para manter o fluxo circular dos recursos, por meio da adição, retenção e regeneração do seu valor, contribuindo para o desenvolvimento sustentável.”

Em relação à tecnologia, é mais fácil descobrirmos oportunidades nas aquisições de hardware e equipamentos em busca da circularidade perfeita, que é a completa racionalização, com critérios como: estender o tempo de uso, combater a obsolescência programada, reaproveitar e dar um destino correto aos equipamentos, com base em análises, especificação e estudos de ROI (Retorno de Investimento) e TCO (Custo Total de Propriedade) e outros requisitos.

Porém, o assunto é tão amplo que abrange desde a especificação de Data Centers, aquisições de serviços, softwares comerciais até os códigos das nossas aplicações.

Pensar fora da Caixa

Não só produtos de hardware e serviços podem ser especificados e medidos! Os exemplos são muitos, saiba que até softwares comerciais podem e devem ser comprados com base em premissas circulares, avaliando-se aspectos como virtualização, possibilidade de uso de hardware menos robusto, menor uso de recursos computacionais (memória, disco duro, processamento, I/O etc.), otimização de impressões com melhorias em visualização de ficheiros, partilha de licenças, integração e muito mais.

Algoritmos Circulares

De forma mais abrangente, acredito que a maior contribuição da tecnologia para se melhorar a qualidade das nossas vidas é através dos dedos ágeis dos programadores e dos seus algoritmos, descomplicando, reduzindo uso de recursos e encurtando distâncias.

A tecnologia já ajuda a economia circular, aplicando e retornando circularmente os mesmos conceitos, principalmente através do setor de serviços e desenvolvimento de software e jogos. Vai desde repensar a nossa relação com o ambiente de trabalho, como consumimos, como descartamos e, acima de tudo, em como podemos transformar ideias e conceitos em soluções práticas que possam minimizar os nossos impactos através da lógica e sistemas.

A aplicação da inteligência aos códigos será a chave para se reduzir os desperdícios, seja através de formas de detectar rotas mais eficientes para a entrega de mercadorias, conectar produtores e consumidores, seja pela otimização de processos, redução de recursos, automatismos, virtualização e substituição de papel.

Para tudo isto pode ser contabilizada a redução de uso de recursos naturais, tais como celulose, carvão natural e mineral, água, combustíveis fósseis etc. E convertido em equivalências em carbono, árvores e outros, como forma de medirmos os ganhos e tentar compensá-los.

Pensar, planear, agir. Circularmente!

No nosso dia-a-dia temos missões, compromissos, resposta à procura dos clientes, as nossas próprias necessidades e ainda queremos garantir confortos conquistados. Como cumprir tudo isto e ainda pensar no rasto que estamos a deixar? A resposta está em saber onde estamos e onde queremos chegar, para definir o caminho.

Pode não ser tão fácil e intuitivo no princípio, pois depende de mudanças de mentalidade em relação ao modelo linear no qual fomos criados, do consumismo, sem preocupação de onde isto vem, aquilo que geramos e onde isto vai parar. Mas tornará-se-á mais do que algo obrigatório. Será um hábito.

Pensar: O que podemos simplesmente recusar? Se for realmente necessário, como comprar o menos impactante, como otimizar e aumentar a sua vida útil? Se não necessita mais do item, qual o destino que lhe será dado? Reutilização, Reciclagem, Novos Usos?

 Planear: Tomadas as decisões anteriores, como fazer isto acontecer? Criar modelos, especificações abrangentes, redução de recursos necessários, criar processos e procedimentos pensados no meio ambiente, na segurança, na sociedade e na igualdade.

Agir: Colocar em prática, criando pontos de situação em cada etapa, de modo que se possa concretizar o planeado e em tempo de execução, e ainda ciclicamente obter novos ganhos.

O que já podemos (eu e você) fazer hoje? Está nas nossas mãos e ao clique dos nossos ratos a possibilidade de fazermos mais e melhor por menos. De dar uma contribuição legítima não só a nós mas também à sociedade.