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Oct 2, 2019

Artigo Odeio Tecnologia publicado no Dinheiro Vivo

Artigo Odeio Tecnologia publicado no Dinheiro Vivo

Artigo de autoria de José Leal e Silva originalmente publicado no Dinheiro Vivo.

Os meses de férias trazem-nos de volta ao que temos de mais puro dentro de nós. Dei comigo a Odiar Tecnologia. Mas como é que isso é possível? Eu, que tenho dedicado toda a minha experiência profissional precisamente a trabalhar no setor, como é possível não a adorar?

Efetivamente, quando bem utilizada a tecnologia é maravilhosa. Até a própria palavra tem na sua génese o aprimorar, fazer melhor, satisfazendo as necessidades humanas. Eis então que comecei a perceber o que se passava. Se calhar “odeio tecnologia” não é o termo certo, mas a forma como nós a utilizamos para as suprir as nossas necessidades humanas é a chave para percorrer esta linha ténue entre odiar e amar.

Como se pode estar em frente à nossa família a apreciar uma refeição, se em vez de agradecermos genuinamente a quem a preparou, dedicamos tempo a fotografar o momento para que alguém a veja numa rede social? Esse mesmo alguém, que em vez de conviver em família, dedilha num ecrã para emojizar a refeição de outra pessoa noutro local. Utilizar o tempo que podemos dedicar a olhar nos olhos a quem realmente importa é uma escolha apenas possível a cada um de nós, mas é uma escolha possível de ser feita. Não somos reféns da tecnologia, mesmo quem passa mais de 8 horas por dia a criá-la e a melhorá-la, pode parar um pouco para contemplar beleza do ser humano, da relação e do bom que é encontrarmos amigos que não víamos há muito tempo e conseguirmos realmente perguntar: “E novidades tens? Não falamos há tanto tempo.”

Redescobri que os métodos “antigos” ainda funcionam com as crianças. Jogos no carro sobre “estou ver algo que começa pela letra…”, “adivinha o super herói”, entre outros deixam as crianças alegres e contentes por estarem a interagir com os pais. O momento do tablet passa a ser residual, até no restaurante, um livro para colorir ou de passatempos chega perfeitamente para o espaço entre o chegar, escolher e comer. E sim, quando eles já comeram, também recorro ao tablet e smartphone para poder terminar a minha refeição mais descansadamente. Contudo faço-o de consciência tranquila, pois a experiência foi mais variada para eles, viram mais coisas, falaram com mais pessoas, foi fundamentalmente mais rica em tudo. Bastou abrir os olhos de novo e observar as alternativas que existem.

O desafio para todos nós é mesmo este: da próxima vez que tiver um ímpeto de desbloquear o telefone e não estiver sozinho pare, espere. Pergunte-se a si mesmo se é importante e se justifica o tempo a tarefa que ia realizar ou se será mais bem investido o tempo em olhar em frente para quem nos rodeia, e se calhar, trocar o desbloqueio do telemóvel por um “bom dia, como estás?” dito da forma que só o diz quem realmente está interessado na resposta.

Vamos voltar a parar, para nos ouvirmos realmente uns aos outros.

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